domingo, 21 de maio de 2017

Carta 003 - aquela em que mulher pode

Oi, Fer!

Quando eu comecei a escrever Cartas ao meu bebê, em meados de 2011, antes de você nascer, falei não que a mamãe seja feminista. Quando reli as cartas, isso me incomodou um pouco. Mas, por fazer parte de um momento da minha vida, não editei, deixei daquele jeito. Porém, com o passar dos anos e das experiências vivenciadas, eu só posso dizer que, o mesmo feminismo que eu achava não fazer parte, acabou me salvando.

Esses dias estávamos no mercado e eu estava escolhendo um vinho pra comprar. Eis que tu me pergunta Mamãe, mulher toma vinho? Eu não sabia que mulher tomava vinho. Eu te expliquei que não existe gênero pra isso. E tu é tão pequeno ainda pra entender um pouco mais, que ficou nisso: Mulher pode, meu filho, mulher pode tudo, tudo o que a mulher mais pode é poder. 

Tu nasceu em uma época em que já está claro que todos temos direitos e deveres iguais, apesar de muitos ainda não aceitarem. E eu luto para que isso se elucide. E é também o que quero te ensinar. Mulheres não precisam mais ter como meta de vida um casamento com filhos, mas, se assim desejarem, elas poderão ter. Se uma mulher quiser ser qualquer coisa na vida, ela tem o direito de lutar pelos seus sonhos. A ti, e aos outros homens, cabe compreender que tudo o que vocês já podem fazer sem ser julgados, as mulheres também podem. E todos os deveres que as mulheres já têm compulsoriamente, vocês também tem que ter. Então, filho, eu vou te ensinar tudo o que eu aprendi a fazer na vida, porque no dia que tu tiver um relacionamento, eu quero que tu seja um bom homem para a pessoa que estiver contigo.

Eu amo que tu pergunte as coisas, eu adoro tua capacidade de ser curioso. Estarei aqui sempre respondendo e te ajudando. Eu tenho muito orgulho da pessoa que tu é e se transforma a cada dia.

Com amor, da mamãe feminista,

Mariáh


sábado, 6 de maio de 2017

Carta 002 - aquela sobre o final de semana longe

Oi, Fer!

Nesse final de semana tu está com teu pai. No começo, essa questão da guarda compartilhada foi difícil pra mim. Até o ano passado eu nunca tinha ficado mais que um final de semana dois dias sem ti. Porém, o tempo e algumas pessoas foram me mostrando que tu precisa desse tempo com ele. E tenho trabalhado dentro de mim que eu te crio para o mundo. E que, mesmo que tenhamos nossas vidas entrelaçadas, somos duas vidas. Agora já te vejo como um serzinho independente. Tu estava muito ansioso com esse final de semana. E fico muito feliz que tu tenha isso com teu pai. 

Da mesma maneira que te olho não só como meu filho, mas como indivíduo, passo a voltar a me ver não só como mãe, mas como Mariáh. Não aquela de antes da gravidez, mas uma que também tem vontades e também precisa de um tempo sobre ela. 

Essa lucidez de pensamento tem me trazido paz. Nunca entendia porque as pessoas usavam roupa branca no ano novo, pedindo votos de paz para o ano seguinte. Eu pensava quero mais é bagunça, agito, correria. E agora, aos 31 anos, quero ainda bagunça, agito, correria, mas entendo a importância da paz, seja na casa, no espírito ou no coração.

É a máxima de estar bem comigo para poder estar bem para ti. E tenho trabalhado nisso bastante.

Espero que teu final de semana seja maravilhoso. Por aqui, deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara...
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Mamãe te ama muito!

Mariáh

Carta 020 - aquela sobre as pessoas que influenciam o meu filho

Ao som de Marcelo D2 - Loadeando Oi, Fer! Começo essa carta pedindo desculpas. Desculpa, filho. Sou mãe, mãe erra também. Eu ainda ...