terça-feira, 28 de novembro de 2017

Carta 011 - aquela sobre tuas percepções corretas


Querido filho!

"Cartas ao meu bebê", o livro, finalmente chegou nas minhas mãos! Fiquei tão feliz, mas tão feliz, Fernando, que tu não tem ideia. É a realização de um sonho, é a síntese dos últimos anos de nossas vidas. Bem, algo como isso. 

Demorei pra falar sobre esse assunto, mas preciso. Eu juro que não quis ser essa mãe. A mãe da sociedade que mente para que as aparências escondam a verdade. Mas eu fui. Tá lá. Pega o final do livro, as últimas cartas: nas entrelinhas eu consigo perceber algumas incoerências. Mas, né, eu estava focada em não fazer com que tu percebesse as partes ruins da vida. E pode ser que naquela época tenha funcionado. Hoje, aos teus seis anos, não funciona mais.

Esses tempos tive uma conversa séria contigo sobre a nossa situação financeira, que não está fácil, que devemos guardar dinheiro, que não podemos comprar tudo o que queremos o tempo todo, principalmente supérfluos. Dias depois, estávamos passeando no Jardim Botânico e tu estava brincando com um menino embaixo do teatro que tem lá. Chamei para irmos embora e tu me alcançou uma moeda de um Real cheia de terra, explicando que o gurizinho tinha encontrado no chão. Perguntei por que ele não ficou se foi ele que achou. Aí tu me contou que disse pra ele que tua mãe (eu!) estava pobre e precisava.

Essa semana tu voltou do final de semana com teu pai extremamente carinhoso. Deitou comigo pra ver o que eu estava assistindo, ficou me cuidando mesmo. Perguntou quando eu irei namorar. Eu ri. E tu queria ver as fotos dos meus antigos namorados pra achar algum. Deus que me dibre, meu filho. Mas fiquei feliz e tocada com o teu cuidado. E repito: tu tem seis anos. 

Acho que esse negócio de esconder é furada. Vi um filme (Capitão Fantástico) em que o pai falava sempre a verdade aos filhos. Sobre tudo. Sempre. Parece meio louco, mas começo a repensar sobre isso. Esconder não funciona, já que tu pega os detalhes. A honestidade deve ser de fato a melhor saída. 

Desculpa a mamãe por encerrar o "Cartas ao meu bebê" colocando panos quentes. Tentarei ser menos assim. Por respeito a ti e, principalmente, a mim.

Amo-te! Tu é a criança mais legal do mundo inteiro.

Com carinho,

Mamãe. 

Nós e nossos amigos no bate-papo sobre Cartas ao meu Bebê, na Feira do Livro de Viamão


Carta 020 - aquela sobre as pessoas que influenciam o meu filho

Ao som de Marcelo D2 - Loadeando Oi, Fer! Começo essa carta pedindo desculpas. Desculpa, filho. Sou mãe, mãe erra também. Eu ainda ...