segunda-feira, 31 de julho de 2017

Carta 009 - aquela sobre o medo


Oi, Fer!

Sabe que de todas essas coisas que eu tento te ensinar, a que eu mais queria que tu entendesse é a lição de hoje, sobre o medo.

O corpo desencadeia uma série de características quando uma pessoa tem medo de algo. O medo de altura, por exemplo, tu pode ficar tonto, suado, nervoso. Mas não é bem desse medo que estou falando.

É o medo de viver que eu não quero que tu tenha. Eu não tenho isso, gostaria que tu não tivesse. 

Isso me possibilita ser uma pessoa que enfrenta. Se eu tô com vontade de fazer algo (desde que não prejudique alguém ou invada a liberdade de outrem), por que não? 

O que mais vejo é pessoa deixando de fazer alguma coisa por medo de se machucar emocionalmente. Filho, se existir a menor possibilidade de algo te fazer feliz, vá e faça. Mesmo que depois doa, que depois a consequência não seja a esperada. É importante, porque são essas pequenas experiências que vão te ensinar algo. 

Dificilmente eu sofro por arrependimento. Não é que tudo o que eu faça seja correto e não me deixe mal posteriormente. É que junto com essa força para fazer o que estou com vontade, vem junto a experiência e o ensinamento: valeu a pena? Foi bom? Eu acredito muito na reflexão a partir da experiência.

Isso porque, pra mim, o pior é uma dor de não ter feito as coisas na hora que vieram pra mim. É o arrependimento de não ter vivido algo e ter perdido uma oportunidade. Pode ser uma pequena oportunidade, como um passeio num sábado ao invés de dormir o dia todo. Ou então algo que poderia ter sido uma  decisão que influenciaria na tua felicidade. 

Consegue entender, Fer? Ser feliz é muito mais do que evitar a tristeza. A felicidade pode estar no erro e na decepção, desde que haja uma reflexão. Não tenha medo, filho. A mamãe sempre estará aqui contigo para te apoiar e segurar-te na queda. Mas a coragem tem que partir de ti. 

Olha pra ti, meu filho. Como tu é abençoado! Vive, Fernando, vive sem medo da vida! Ela é linda, meu amor, e tá recém no comecinho pra ti...

Com carinho,

Mamãe.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Carta 008 - aquela sobre nossas distâncias

                                                     Ao som do mar
Oi, meu lindo!

Escrevo-te do alto de um morro aqui em Torres, do alto de uma das torres, vai. É tudo tão lindo, tão contemplador, que me faz refletir sobre nossas vidas.

Semana passada tu viajou com a Vó Carmen e com as tias para cá. Eu fiquei mais uns dias, porque estava participando de um congresso. Tu foi tão feliz e tranquilo, que me passou serenidade. A mamãe de alguns anos atrás (até meses) teria ficado triste por tamanha calma que tu teve ao me deixar. Mas a mamãe de hoje consegue entender que tu é um ser além de mim, que tu tem vontades e desejos apesar dos meus. E que tudo bem nós sermos dois seres diferentes,  né? 

Pois bem, passei uma semana muito boa e tu também. Depois vim ao teu encontro e seguimos aqui, tu com tuas coisinhas e eu fazendo coisas pra mim, como subir aqui e contemplar a natureza, ler um livro, ouvir uma boa música e, lógico, pensar em ti. Nesse momento, tu está andando de bicicleta com as tias na lagoa.

Acho que essa nossa fase faz parte de um amadurecimento natural. Sabemos que podemos ir e ficar longe, mas que logo voltaremos a nos encontrar. 



Mamãe te ama muito, pequeno!

Mariáh

domingo, 9 de julho de 2017

Carta 007 - aquela sobre amizade

Oi, Ferferzudo!


Eu tenho noção que terão coisas que tu não vai compartilhar comigo. Isso faz parte. Tem coisa que não se conta para as mães. É aí que entra uma nova família, a que a gente escolhe.

Hoje em dia,  teus amigos são o Santiago, o Samuel, o Gustavo e o Artur Barbosa. Eu imagino que vocês ainda não tenham conversas muito profundas (exceto o Artur Barbosa, que já rendeu histórias muito boas). Mas em algum momento, seja com eles ou não,  eu espero que tu tenha amizades sinceras e que consiga se abrir com elas.

Sabe por quê? Porque a vida, meu filho, a vida é dura. E, às vezes, a gente acha que não tem estrutura para aguentar algumas coisas. Porém, se tu tiver um(a) só amigo(a) na tua vida que te lembre que tu consegue, que tu é capaz, então a vida torna-se possível e, muitas vezes, mais leve.

Amigo não é aquele que concorda com tudo o que tu fala, não é o que sempre está nas festas contigo, o que tem mais dinheiro. Amigo vai ser o que vai te ajudar a fazer mudança, o que vai te cuidar no hospital, o que vai entender que naquele dia tu não pode, o que não vai te cobrar atenção, o que vai fazer coisas pra ti ou contigo que nem quem deveria fazer faz. Amigo será uma extensão de ti. É o que se coloca no teu lugar e te ajuda sem tu precisar pedir. É o que vai te dizer como tu tá bonito, quando tua autoestima não estiver legal. É o que viaja pra te dar suporte. É o que te alimenta quando tu não lembra de fazer. É o que oferece a própria família pra te acalentar o coração. É o que tu tem intimidade pra qualquer coisa. É o que sabe o teu pior e, ainda assim, segue contigo.

Segue tua jornada, filho. Mas faça amigos. E, principalmente, seja um bom amigo. A vida é muito mais rica com amigos.

Com carinho,

Mamãe.




Foto que a dinda Fran tirou na Redenção hoje, no finalzinho da visita dela.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Carta 006 - aquela das coisas que não controlo

Oi, Fer!

Eu acho que, instintivamente, a mãe sempre pensa em proteger o filho, de criar uma redoma que o livre de todo o mal, amém. É esse pensamento que vem primeiro sempre pra mim. Depois eu penso mais. Penso muito. Se eu estivesse num desenho animado ou história em quadrinho, sairia uma fumaça em cima da minha cabeça de tanto que penso. E percebo que eu não conseguirei evitar que todo o mal chegue até ti, por mais super que eu queira ser.

Tem situações na vida, filho, que não dependem só da mamãe. A mãe fala, briga, argumenta, mostra o ponto, mas se a pessoa não quiser entender ou aceitar, não há muito mais que eu possa fazer. E isso diz respeito às pessoas que te cercam também. Eu posso argumentar sobre a tua importância, sobre a criança maravilhosa que tu és. Sobre como tu é muito legal - filho, tu é a pessoa mais legal que eu conheço. Mas se a pessoa não quiser entender isso, eu não consigo obrigá-la. Mesmo que eu saiba que isso dói em ti, que vai te machucar por dentro, que pode trazer conflitos internos que demorarão muito tempo para serem resolvidos - se forem. 

E, depois de tanto pensar, eu percebo que nos bastamos. Que tu se basta. Tu tem a mim. Eu sempre estarei aqui por ti. Sempre. E quem escolhe não fazer parte disso é que vai perder, porque tu vai crescer sendo muito legal, inteligente, divertido e feliz, principalmente feliz. Porque a minha falta de controle sobre as ações dos outros é inversamente proporcional ao meu esforço em te fazer feliz. 
Eu tenho muito medo da tua adolescência. Tenho medo de eu não ser o que tu precisa ou busca. Então quando a adolescência chegar e eu não souber atender às angústias que tu terás no cotidiano, saiba que eu estou aqui por ti, mesmo que não pareça. E que eu sempre estive por ti, mesmo que tu não lembre. 

Sou tua mãe, Fernando. E, se algum dia isso não bastar, saiba que tem coisas que fogem do meu controle, que eu fiz tudo o que pude quando foi o momento de fazer. Mas tem coisas que eu não consigo nem conseguirei evitar. O que posso fazer é o que já faço desde que soube que estava grávida: estou aqui por ti.

Amo-te demais, meu querido filho!

Mariáh

Carta 020 - aquela sobre as pessoas que influenciam o meu filho

Ao som de Marcelo D2 - Loadeando Oi, Fer! Começo essa carta pedindo desculpas. Desculpa, filho. Sou mãe, mãe erra também. Eu ainda ...