Ao som de Girassóis - Cidadão Quem
Querido filho!
Estamos em julho de 2018. Tu tem apenas seis anos.
Tu é uma criança muito carinhosa, que, do nada, vem e abraça, chega e beija, sorri e diz que ama. Quando tu conhece alguém, é sempre expansivo, comunicativo. Tu tem tendência a cativar quem te conhece, nunca passa desapercebido. E tu tem apenas seis anos.
Tu é naturalmente engraçado. Agora que está lendo e escrevendo, tem feito mais fernandices ainda. Hoje fez vários balões de histórias em quadrinhos e vinha me mostrar pra eu ler o que tu queria. Isso com apenas seis anos.
Somos muito companheiros, pois, à medida que a idade permite, explico as coisas pra ti, por que razão tal coisa pode e por que outra não pode. Então, para uma criança de seis anos, tu tem bastante noção da nossa realidade.
Diariamente tem, pelo menos, uma cena de dengo, de manha, um ou dois ah, mamãe, que chato isso! Conversamos muito sobre as birras, inclusive. E depois te dou um tempo para reflexão. Às vezes é rápido, outras nem tanto. E tudo bem, porque tu tem apenas seis anos e tem que aprender a lidar com frustrações - pra ninguém isso é fácil.
No recesso de inverno do colégio, tu ficou uns dias em Torres com a Vó Carmen, Tia Nena e Tia Popo. Eu estava mal do ciático e todos esses dias fiquei praticamente deitada em casa. Fazia tempo que eu não ficava sem ti e acho que faltou pouco pra morrer de saudade. Por tu ter apenas seis anos, não recebi sequer uma ligação nesses dias. Eu que liguei. Liguei todos os dias. Chamadas de vídeo, porque eu precisava ver o teu rostinho. E te ver nesses poucos minutos enchia meu peito de mais saudade, mas eu sei que tu estava bem, estava curtindo os dias por lá, então isso me acalmava.
Tu tem seis anos e faz várias coisas sem a minha ajuda. Não foi fácil conseguir que tu se desprendesse da necessidade de ser ajudado por mim. Mas hoje tu é muito independente tanto em fazer quanto em pensar. Tu é um indivíduo, Fernando. Eu conheço algumas crianças incríveis, mas acho que tu é a mais incrível das que eu conheço. Não é só amor o que eu sinto por ti, filho. É admiração. Ver tu crescer e se desenvolver é um privilégio pra mim. Muito obrigada por tudo, Fer. Amo-te demais!
Com carinho,
Mamãe.

