sexta-feira, 7 de julho de 2017

Carta 006 - aquela das coisas que não controlo

Oi, Fer!

Eu acho que, instintivamente, a mãe sempre pensa em proteger o filho, de criar uma redoma que o livre de todo o mal, amém. É esse pensamento que vem primeiro sempre pra mim. Depois eu penso mais. Penso muito. Se eu estivesse num desenho animado ou história em quadrinho, sairia uma fumaça em cima da minha cabeça de tanto que penso. E percebo que eu não conseguirei evitar que todo o mal chegue até ti, por mais super que eu queira ser.

Tem situações na vida, filho, que não dependem só da mamãe. A mãe fala, briga, argumenta, mostra o ponto, mas se a pessoa não quiser entender ou aceitar, não há muito mais que eu possa fazer. E isso diz respeito às pessoas que te cercam também. Eu posso argumentar sobre a tua importância, sobre a criança maravilhosa que tu és. Sobre como tu é muito legal - filho, tu é a pessoa mais legal que eu conheço. Mas se a pessoa não quiser entender isso, eu não consigo obrigá-la. Mesmo que eu saiba que isso dói em ti, que vai te machucar por dentro, que pode trazer conflitos internos que demorarão muito tempo para serem resolvidos - se forem. 

E, depois de tanto pensar, eu percebo que nos bastamos. Que tu se basta. Tu tem a mim. Eu sempre estarei aqui por ti. Sempre. E quem escolhe não fazer parte disso é que vai perder, porque tu vai crescer sendo muito legal, inteligente, divertido e feliz, principalmente feliz. Porque a minha falta de controle sobre as ações dos outros é inversamente proporcional ao meu esforço em te fazer feliz. 
Eu tenho muito medo da tua adolescência. Tenho medo de eu não ser o que tu precisa ou busca. Então quando a adolescência chegar e eu não souber atender às angústias que tu terás no cotidiano, saiba que eu estou aqui por ti, mesmo que não pareça. E que eu sempre estive por ti, mesmo que tu não lembre. 

Sou tua mãe, Fernando. E, se algum dia isso não bastar, saiba que tem coisas que fogem do meu controle, que eu fiz tudo o que pude quando foi o momento de fazer. Mas tem coisas que eu não consigo nem conseguirei evitar. O que posso fazer é o que já faço desde que soube que estava grávida: estou aqui por ti.

Amo-te demais, meu querido filho!

Mariáh

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