terça-feira, 27 de março de 2018

Carta 014 - aquela sobre tuas percepções


Oi, Fer!

Sabe que, para uma criança de seis anos, tu percebe muita coisa ao teu redor. Às vezes tô conversando com alguém e tu tá entretido jogando Minecraft por perto. Aparentemente, tu tá minerando de boas, mas aí, se um assunto te interessa, lá está o Seu Fernando emitindo opiniões.

Por isso, alguns assuntos escancaradamente impróprios pra tua idade, eu não falo perto nem por códigos enquanto tu esteja com fones de ouvido. Só falo mesmo na tua ausência.

Entretanto, há alguns assuntos que também são pesados, mas relativos à tua vida, e aí eu confesso que me perco um pouco. Às vezes gostaria de sentar contigo e explicar ipsis litteris sobre tudo o que está acontecendo com as nossas vidas. Gostaria de deixar claríssimo por que não podemos fazer certas coisas e por que temos que ter agir de determinada maneira. Queria poder explicar exatamente por que alguns NÃO! enfáticos são necessários. Mas eu sei que tu não teria maturidade emocional para lidar com as respostas.

O problema maior é que tenho muito medo de nunca ter oportunidade de te dar essas respostas. E, se numa dessas adolescências doidivanas, tu não quiser mais as minhas respostas e tirar tuas próprias conclusões?

...

É, meu filho, ser mãe não é para amadoras.

...

No dia do julgamento maternal*, só espero que tu entenda que eu fiz o melhor que podia com o que tinha. E, a cada decisão que possa parecer equivocada, foi pensando em ti, no teu melhor, em garantir um presente e futuro dignos. Cada decisão que tomo por nós dois é pensando que estou fazendo o melhor.

"Em caso de muita lucidez, loucure-se!"

Amo-te!

Com carinho,

Mamãe.

* Só mais uma carta pra lista de culpa.


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